Peru: Arequipa, la ciudad blanca de sillar



Série "Dú" Perú

No mesmo espírito de baixas expectativas que reservei para Puno e Lago Titicaca, segui para Arequipa. Uma vez mais, fui recompensada: Arequipa, sem dúvida, é uma das 10 cidades mais bonitas que conheço!
 
Rodeada pelos vulcões de picos nevados Chachani, Misti e Pichu Pichu, tem seu centro histórico formado por construções de pedra vulcânica branca, chamada sillar, de beleza impressionante. É a segunda maior cidade do Peru e Patrimônio Cultural da Humanidade, de acordo com a UNESCO. Possui grande variedade gastronômica e, assim como acontece em Lima, é o lugar perfeito para desfrutar da mágica mesa peruana em restaurantes de chefs locais renomados.

O confortável ônibus semileito da empresa Cruz del Sur (os assentos mais reclináveis são os do piso térreo) levou 6 horas e meia de Puno a Arequipa. Chegamos à noite na Cidade Branca e jantamos no hotel, o Casa Andina Classic Arequipa. Vale dizer que este foi um dos melhores hotéis da Rede Casa Andina Classic que me hospedei.

No dia seguinte, meu marido e eu levantamos às 2h da madrugada e fomos apanhados na porta do hotel por uma van. O destino foi Canyon Colca, duas vezes mais profundo que o Grand Canyon (Estados Unidos), a 165 Km de Arequipa. Complicado para acordar e para se manter acordado! Na próxima vez, dormirei em cidade mais próxima de Colca, para evitar o cansaço e o desgaste da viagem na madrugada.

Era inverno e chegamos a enfrentar -15°C (revivi o trauma chileno dos geysers no Deserto do Atacama, mas isso fica para outro post...). Tomamos café em um local no meio do caminho – não consigo lembrar o nome –, mas tudo estava muito ruim e não havia aquecimento. Ir ao banheiro foi uma decisão difícil, pois estávamos congelando!! Para nossa "sorte", almoçamos nesse mesmo lugar, na volta de Colca...

Antes de chegar ao canyon, paramos em alguns povoados. Era muito cedo e fazia frio demais, mesmo assim, os moradores e artesãos locais esperavam o desembarque dos turistas nas ruas com música, dança, bebidas, comidas, animais e artesanato. Achei curiosa a presença de espelhos nas igrejas que visitamos – também vi isso em Cusco –, mas ninguém soube me explicar o motivo.

Enfim, chegamos ao Canyon Colca e confesso que fiquei um pouco desapontada, pois esperava ser mais parecido com o Grand Canyon. Pura ignorância minha, reconheço, mas acredito que projetei essa imagem por querer muito conhecer o Grand Canyon... E vamos combinar que o mau humor de não ter dormido direito contribuiu!


Nossa guia não cansava de repetir que era necessário chegar bem cedo à Cruz del Cóndor, ponto do Canyon Colca, para testemunhar o voo do condor. De forte simbologia na cultura inca e peruana, a ave é considerada um “mensageiro dos deuses”, representa a força, a inteligência e o enaltecimento. Os incas acreditavam na imortalidade desse enorme pássaro e que ele era o encarregado de conduzir os mortos aos céus.

No início, poucas aves apareceram e estavam distantes de nós. Gradualmente, o número de condores e a proximidade foram aumentando. Por muito tempo, contemplamos o espetáculo boquiabertos. A trilha sonora do momento foram os suspiros vindos de todos os lados. Sem dúvida, mais uma experiência marcante no Peru!! Nesse momento, esqueci frio, sono, cansaço e agradeci por ter a oportunidade de viver aquilo.

Em seguida, ainda extasiados pelo voo do condor, seguimos para os Baños Termales de La Calera, próximos a Chivay. Traduzindo, uma espécie de clube muito tosco com piscinas de água quente. O pior clube de Caldas Novas, GO, Brasil, dá de mil nos banhos termais! É sério!! O que valeu a pena nessa etapa do passeio foi caminhar sobre a ponte inca de pedra, em frente ao local.

A última parada foi o mirador de vulcões, a quase 5.000 metros de altura, com paisagem deslumbrante!! Reza a lenda que você deve empilhar algumas pedras por ali e fazer um pedido especial. Não dá para ficar muito tempo, pois a altitude costuma provocar males. Eu, por exemplo, sofri com uma forte dor de cabeça.

A chegada em Arequipa foi alentadora, procuramos rapidamente um lugar para comer. No prédio da escola de idiomas Aliança Francesa, encontramos o Crepisimo, espécie de café com opções divinas de crepe e em ambiente agradabilíssimo! Mais que recomendo!!


O restaurante escolhido para o jantar (o que não foi tarefa fácil, já que a cidade está bem servida nesse quesito) foi o Paladar 1900, localizado no centro histórico. Além da arquitetura e da decoração de muito bom gosto, a lembrança da apresentação dos pratos marcou. Comemos com a boca e com os olhos!! Para o prato principal, escolhi o Canelonni 1900, divino!! De sobremesa, tiramisù feito com pisco, superou minhas expectativas!

Tivemos apenas mais um dia em Arequipa, o que considerei erro de cálculo da minha parte. Vivendo e aprendendo... Certamente, seria ideal dedicar mais um ou dois dias. Com pouco tempo para explorar a cidade, foi preciso focar naquilo que nos chamou mais atenção, nossas escolhas foram:

·   Giro pelo centro histórico;
·   Plaza de Armas – diria que é o showcase da arquitetura característica da cidade, repleta de sillar;
·   Catedral – visitamos o museu da igreja e subimos até o telhado, de onde se tem uma bela vista dos três vulcões que enfeitam Arequipa;
·   Volta rápida pelo grande Mosteiro de Santa Catalina (teria dedicado mais tempo, se possível);
·   Passagem pela área externa das Casas del Moral e Goyeneche;
·   Museo de la Universidad Católica de Santa Maria – reserve aproximadamente uma hora para realizar a visita, que termina com o encontro com la señora de Ampato ou Momia Juanita, a famosa múmia adolescente inca que foi oferecida como sacrifício aos deuses;
·   Degustação da cerveja local, a Arequipeña.

Arequipa deixou gostinho de quero mais... Já avisei para meu marido que pretendo voltar para escolher as peças de sillar que, um dia, teremos em uma das paredes de nossa casa!

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