Belém: a releitura do sabor paraense pelo Remanso do Bosque

Ver-o-peso

Passei o Natal de 2012 em Belém, cidade onde nasci, com familiares muito queridos e meu marido. Não visitava a cidade desde 2009 e estava morrendo de saudades de tudo. Além de a culinária paraense ser especial e exclusiva em vários aspectos, tenho motivos adicionais para ficar com água na boca toda vez que penso em ir para lá.


Minha tia Neusinha é a proprietária das doçarias Nega Maluca e Tia Maria, onde você encontra os melhores doces do mundo!! Os meus preferidos são as tortas de chocolate que levam os nomes das duas casas, a Nega Maluca e a Tia Maria. As balas de coco também estão no meu rol de prediletos, por serem in-des-cri-ti-vel-men-te deliciosas e macias. Há muitas outras opções, incluindo doces com frutas da Amazônia. Marcelo Katsuki (Folha de S. Paulo), por exemplo, ficou encantado com a Taça da Felicidade (veja mais detalhes aqui). A mesinha para dois na janela da belíssima casa da Tia Maria é um dos meus lugares favoritos em Belém, em especial, quando chove.

Meus primos Ângela e Fábio Sicilia são os donos do Famiglia Sicilia (antigo Dom Giuseppe, em homenagem ao pai deles), o melhor restaurante italiano de Belém. Tradição e inovação andam lado a lado, incluindo mesclas interessantes com os sabores locais, a exemplo do ravioli de maniçoba. Meus pratos preferidos são os clássicos – estão no cardápio desde que me lembro – Frango à Nestor Bastos e Filé Ana Maria. Além da comida divina, em conjunto com o restaurante, meus primos abriram a enoteca Don Vino. De programas familiares a românticos, de jantares de negócio a almoços de domingo, o Famiglia Sicilia é sempre uma excelente opção!

Mas este post não é sobre nenhum dos estabelecimentos acima. Em virtude de os proprietários serem familiares desta blogueira que vos fala, achei que poderia parecer “marmelada” escrever sobre eles. Entretanto, se decidir visitá-los, estou certa de que irá amar!! Falando em releitura...

Ao entrar no restaurante Remanso do Bosque, tive a mesma sensação de quando entrei no salão principal do restaurante Astrid y Gastón de Lima, Peru, do renomado chef Gastón Acurio. Já havia lido em blogs, revistas e jornais a respeito do Remanso do Bosque. A impressão que tive é que se tratava de um restaurante sofisticado (o que, de fato, é!) e, na projeção mental que fiz sobre o aspecto físico do lugar, que essa sofisticação estaria refletida na décor do local. Em casos assim, quando o espaço é extremamente chique, costumo dizer que sinto uma espécie de "opressão positiva". Mas não foi o que aconteceu nesses dois lugares.

Remanso do Bosque

Assim como no Astrid y Gastón, tive a grata surpresa de adentrar no Remanso do Bosque e encontrar uma decoração que eu classificaria de minimalista e aconchegante. Esse detalhe é importante, pois são lugares que unem a simplicidade à vivência de sabores complexos. Para isso, escolhemos o menu degustação – servido no jantar –, onde são servidos 8 (isso mesmo, 8!) pratos. Acatamos as sugestões de vinho do chef Thiago Castanho.

De uma mesa com 6 pessoas, eu era a única com intolerância à lactose e meus pratos sofreram adaptações. Tudo que comemos superou as expectativas. Com ou sem lactose, a comida estava impecável! Deram um jeito para mim até nas 2 sobremesas que fazem parte do menu, deliciosas! O mais engraçado foi ouvir as reações de hummmm..., que delícia!, nossa!! a cada novo prato servido. Dirceu, Thiago, Otávio, Monalisa e Larissa podem atestar o que estou falando. O ravioli aberto com creme de pupunha foi eleito, de forma unânime em nossa mesa, o melhor!

Não é novidade que o Pará tem sido destaque na cena cultural brasileira e, arriscaria dizer, internacional em diversas áreas. Lembro-me dos anos que morei em Belém. Excelentes opções gastronômicas sempre estiveram disponíveis, das mais simples às requintadas, meu estômago se lembra com carinho da cidade. Todavia, não tenho conhecimento de proposta que seja semelhante à do Remanso do Bosque. E os paraenses ganham muito com isso.

Inaugurado em dezembro de 2011, pelos irmãos Thiago e Felipe Castanho, o Remanso do Bosque já entrou na rota dos foodies. Entretanto, há mais de uma década, a boa mesa é o negócio da família Castanho. O restaurante Remanso do Peixe, criado pelo pai de Thiago e Felipe, funciona em uma vila residencial no bairro Marco e serve deliciosos pratos de peixes da Amazônia. Com receitas clássicas, é parada mais que recomendável para quem deseja se deleitar com a gastronomia paraense.

No negócio familiar, Thiago se aprofunda nos pratos principais, enquanto Felipe se especializa nas sobremesas. No projeto Visita Gourmet, promovido por eles, grandes nomes do cenário nacional passaram por Belém no ano de 2012: Alberto Landgraf, Alex Atala e Helena Rizzo. Vale dizer que o restaurante fica próximo ao Bosque Rodrigues Alves, um pedaço da floresta amazônica preservado em meio à cidade. Para fechar com chave de ouro sua refeição, verifique a possibilidade de cumprimentar os chefs pessoalmente, pois, além de tudo, concordo com o que disse Alex Atala, eles são simpáticos e bonitos!



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