Chile: Mamalluca - um lugar para alcançar as estrelas, no sentido mais literal possível


Certas coisas acontecem em nossa vida e não dá para acreditar no quanto somos afortunados. Visitar o Observatorio Astronómico Cerro Mamalluca foi uma delas! 

Perto do céu, muito perto do céu, é aí que fica esse observatório de estrelas para turistas. Mas, não se engane, Mamalluca não é o observatório. Para mim, Mamalluca é o lugar onde você chega pertinho do céu.

A primeira vez que viajei ao exterior foi em 2005, fiquei o mês de julho inteiro no Chile, depois ter economizado por quase 1 ano. O país foi escolhido pelo meu marido, que era namorado naquela época, para estudarmos espanhol de segunda a sexta-feira e esquiarmos no final de semana.

Dirceu (o maridão), Diego (seu irmão) e eu invadimos a casa das senhoritas Huepe. Lorenita, Faby e Gaby nos acolheram muito bem durante todo esse tempo em seu apartamento em Las Condes, na cidade de Santiago do Chile. Apenas um parêntese aqui, acho o nome dessa cidade tão distinto: San-ti-a-go de Chi-le!! Gosto muito!

Como já disse, era minha primeira viagem ao exterior e não queria ficar confinada todos os finais de semana em uma estação de esqui. Não que não tenha gostado de esquiar, mas queria ir além dos arredores de Santiago e isso poderia acontecer na última semana, pois não teríamos aulas. Nossa professora de espanhol, Giselle, nos disse que 3 semanas eram suficientes, considerando o nosso nível na língua, o que me deu muita alegria.

Comecei a planejar o roteiro de uma semana, a contragosto de Dirceu e Diego. Meu chefe na época, um italiano que já havia andado bastante pelo Chile, recomendou fortemente que conhecesse o sul do país. Ao falar com os amigos chilenos, eles desaconselharam essa região naquele período, em virtude do inverno chuvoso.

Fiquei bem dividida, até que San Pedro de Atacama surgiu em minha vista no guia de viagem, vi o nome daquele local em letreiros luminosos. Fui falar com os meninos, que protestaram imediatamente, uma vez que desejam ir a Valle Nevado, a El Colorado, a Portillo... Enfim, queriam uma estação de esqui e ponto de exclamação!

Fiz beicinho, chorei, esperneei, briguei até "convencê-los" a partir rumo ao norte do Chile. Destino final: o Deserto de Atacama!!! Ficou decidido que faríamos uma parada para conhecer La Serena e, dali, seguir até San Pedro de Atacama. 

Chegamos a La Serena à noite, sem reserva de hospedagem. Conseguimos um albergue, mas tivemos que dormir separados. Dirceu e Diego em um quarto, eu fiquei com uma gringa que não tomava banho há uns bons dias, em outro. Foi nesse dia que eu usei o pijama cor-de-rosa de flanela bem quentinho que mamãe havia comprado para a viagem. 

Fazia muito frio, não havia calefação no albergue e fui eu desfilar do banheiro compartilhado aos meus aposentos com o modelito "Barbie noite de inverno". Para melhorar a situação, abri a porta do quarto e a companheira mais roots que já tive ainda estava acordada. Ela nem sequer usava pijama, deitou com a roupa que passou o dia inteiro.

Cada um com seus problemas, mas ela ficou me olhando de um jeito... Deu vontade de perguntar se conhecia a Amazônia brasileira, se morou alguma vez no meio da selva, onde só se pode chegar de avião ou caminhando por mais de 1 semana. Será que ela quase morreu por conta de malária alguma vez? Fiquei quieta, ela não acreditaria em nada mesmo, minha versão patricinha era irrefutável naquele momento, vestindo pink da cabeça aos pés em ton sur ton...

Um ou dois dias após o episódio do pijama, saímos cedo de La Serena em passeio para o Valle Elqui. Paisagens maravilhosas, homenagens a Gabriela Mistral, cidades pitorescas, degustação de Pisco, foi um pouco do que fizemos nesse dia. Quando estava chegando a noite, confesso que queria minha cama e meu visual da Barbie, após um banho quente (vale dizer que o albergue carecia um pouco de altas temperaturas no banho também).

Ao descer da van e olhar para o céu, todos ficamos boquiabertos!!! Não dava para acreditar na formosura de céu que se apresentava logo ali, ao alcance das nossas mãos. Mamalluca está em cima de um morro, com poucas luzes, para que possamos apreciar aquele espetáculo estelar. Que espetáculo!

Nosso guia no observatório indicava cada constelação com uma ponteira laser. A Lua não deu o ar da graça nesse dia e Dirceu comentou como aquilo tudo era espetacular, imagina se tivesse lua. O guia esclareceu, então, que aquele era o melhor cenário para observar as estrelas. De acordo com ele, fomos  privilegiados pela Lua não ter aparecido.

Assistimos a um vídeo dentro do observatório, conhecemos o grande telescópio, descobrimos que aquela é uma das melhores regiões de observação nas Américas e ouvimos bastante sobre astronomia. Dirceu adorou, mas saiu bastante impressionado com o nosso tamanho e importância frente ao Universo. Diego parece ter gostado bastante também, apesar de não dar muito o braço a torcer.

Eu saí do observatório deslumbrada e com a certeza de que se deve viver um momento assim ao menos uma vez na vida. A melhor parte, para mim, foi a chegada naquela escuridão. Com a simples ação de olhar para cima, senti a opressão celestial das estrelas na minha pequena existência. Cheguei a levantar o braço e ficar na ponta dos pés para alcançar uma das luzinhas que brilhavam tão perto de mim... Mamalluca é alcançar as estrelas no sentido mais literal possível!

Comentários

  1. Amandinha, passei por aqui e adorei seu blog! Continue, pq as dicas são bacanérrimas! Bjos. Saudades... Vanessa Assis

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    1. Seja bem-vinda e volte sempre! Muitas saudades, querida!! Beijos

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